Copa do Mundo 2026: quartas de final ameaçadas por onda de lesões e doenças nos elencos
A Copa do Mundo de 2026 chegou à fase de quartas de final com o mapa de enfermaria das seleções tão movimentado quanto os gramados. Inglaterra, França, Espanha e Suíça enfrentam desfalques significativos nos momentos decisivos da competição, e o equilíbrio entre gestão médica e necessidade esportiva nunca foi tão delicado. Com apenas oito equipes restantes na disputa pelo título, qualquer baixa de peso pode redefinir completamente as chances de cada seleção.
O cenário geral poderia ser ainda pior. Lamine Yamal recuperou a forma plena e segue como peça fundamental da Espanha, enquanto Neymar - numa Copa que marcou seu adeus à seleção brasileira - conseguiu entrar em campo algumas vezes antes da eliminação do Brasil diante da Noruega, numa despedida agridoce para a torcida canarinho. O mercado europeu, por sua vez, segue em ebulição mesmo durante o torneio: Manu Koné a caminho do Arsenal é um dos movimentos que agitam os bastidores enquanto os jogadores ainda disputam o mundial. Mas a atenção, agora, volta-se totalmente para quem estará - ou não - em condições de jogar nas próximas rodadas.
Na Inglaterra, Thomas Tuchel enfrenta uma crise defensiva que não cede. Reece James, ausente nos últimos três jogos dos ingleses por conta de um problema muscular na coxa, retomou os treinos e mantém esperança de atuar contra a Noruega nas quartas de final. O problema é que o cenário ao redor dele piorou: Marc Guehi sofreu uma contratura muscular no duelo contra o México e, embora o defensor do Crystal Palace esteja determinado a se apresentar em condições, segue como dúvida. Ainda mais preocupante é a situação de Declan Rice, que já havia sido poupado da fase de grupos por dores neurológicas na coluna e agora enfrenta um quadro de doença que o tirou de dois treinos consecutivos. Jordan Henderson, por sua vez, está definitivamente fora: o volante do Brentford fraturou o braço ao saltar sobre uma placa de publicidade após a vitória sobre o México, passou por cirurgia e não joga mais na competição. A Noruega também registrou casos de doença no elenco, mas seu médico confirmou que todos os jogadores estão recuperados.
Mbappé minimiza susto, mas França monitora capitão com cautela
A França venceu Marrocos por 2 a 0 na quinta-feira e avançou às semifinais, mas saiu do jogo com uma preocupação extra. Kylian Mbappé levou uma entrada dura do zagueiro Issa Diop, que recebeu cartão amarelo, e deixou o campo no lugar de Jean-Philippe Mateta aos 78 minutos, com gelo no tornozelo no banco de reservas. Didier Deschamps optou pela cautela com a vantagem de dois gols já estabelecida - o segundo marcado por Ousmane Dembélé. O próprio Mbappé tentou tranquilizar a torcida ao falar com a imprensa: "Tenho uma lesão leve no tornozelo, mas estou completamente bem. O Mateta estava em melhores condições para disputar os minutos restantes. É só isso." Com cinco dias até a semifinal contra Espanha ou Bélgica, a comissão técnica francesa terá tempo para avaliar, mas a incerteza permanece. Aurelien Tchouaméni, por sua vez, já está fora há dois jogos com uma lesão na virilha e sua participação na semifinal é igualmente incerta.
Espanha perde trio de pontas e Suíça entra desfalcada contra Argentina
A Espanha chega às quartas em situação delicada nas alas. Yeremy Pino, do Crystal Palace, sofreu uma entorse acromioclavicular contra o Uruguai - o raio-x descartou fratura, mas o jogador ainda não voltou a campo. Nico Williams, também lesionado na partida contra os uruguaios, publicou um desabafo nas redes sociais lamentando mais uma lesão "após um ano muito difícil" e denunciando o caráter desnecessário da jogada que o tirou do torneio. Victor Muñoz, novo reforço do Liverpool, nem chegou a estrear: sofreu uma lesão muscular na panturrilha na preparação para a Copa e depois teve uma recaída. Os três pontas fora ao mesmo tempo representam um problema real para Luis de la Fuente, que terá de reformular o esquema ofensivo da equipe.
Do outro lado do chaveamento, a Suíça enfrenta a Argentina campeã sem seu principal jogador. Johan Manzambi, artilheiro helvético na competição com três gols e duas assistências, não se recuperou a tempo de um problema no joelho e foi confirmado ausente pelo técnico Murat Yakin na véspera do duelo em Kansas City. Manzambi já havia ficado fora da vitória nos pênaltis contra a Colômbia nas oitavas. "Fizemos tudo que pudemos para tê-lo de volta. Ele está com muita dor. Foi um choque para todos nós", disse Yakin. A ausência do meia é notada também fora da Suíça: clubes europeus, incluindo o Newcastle, monitoravam de perto sua Copa do Mundo. A Argentina, que também acumula baixas defensivas - Facundo Medina saiu lesionado diante de Cabo Verde e ficou de fora da vitória sobre o Egito -, parte como favorita, mas terá que lidar com suas próprias limitações no setor de defesa.
O peso das lesões em uma Copa cada vez mais exigente fisicamente
A quantidade de desfalques nesta fase final da Copa reflete uma tendência que cresce a cada edição do torneio: o calendário cada vez mais comprimido nas temporadas europeias chega à competição internacional cobrando seu preço. Jogadores que chegaram ao mundial carregando o desgaste de temporadas longas estão sucumbindo no momento em que a intensidade é máxima. Para as oito seleções restantes, o departamento médico deixou de ser um setor de suporte para se tornar um fator tático de primeira ordem. A Copa de 2026 pode muito bem ser decidida não apenas pelo que acontece dentro de campo, mas pelo que acontece - ou não acontece - na sala de fisioterapia.